Os 10 mandamentos do investimento ESG

Referência global, Sasja Beslik resume em artigo as lições tiradas em 20 anos de experiência à frente da estratégia sustentável de pesos-pesados como Nordea e Sarasin

por Sasja Beslik para Capital Reset, em 15 de março de 2021

Esse artigo foi escrito para qualquer pessoa que está vagando nas florestas profundas e nas vastas planícies do investimento ESG, tentando navegar em direção a novos horizontes.

Os dez mandamentos ESG abaixo são baseados em minha experiência prática de mais de 20 anos nesse universo.
E eu espero que eles te ajudem a encontrar um caminho que atenda suas necessidades e motivações ESG.
Por que eu estou publicando este artigo agora?

Ao longo dos últimos três anos, o investimento ESG realmente decolou e está ganhando tração em todo o mundo. Ele está transformando o mainstream para levar em consideração as consequências ambientais, sociais e de governança de seus investimentos.

Contudo, o conceito de ESG é usado e abusado de muitas formas. A intencionalidade do ESG, que sem dúvida agrega valor, está sob risco significativo de ser diluída por enormes esforços de marketing dentro e fora da indústria financeira. É o tal do greenwashing.
Além disso, às vezes é bom parar para pontuar algumas lições aprendidas e compartilhá-las com outras pessoas.
Então, sem mais delongas, aqui estão meus 10 mandamentos do investimento ESG:

1. Acima de tudo, é sobre pessoas e o planeta

A principal questão que precisamos sempre nos perguntar é se os investimentos e os ativos por trás deles (corporativos, projetos, derivativos, bonds etc) contribuem para um mundo mais ou menos sustentável agora e no futuro. Na indústria financeira, tomamos decisões de investimento para clientes que confiaram em nós para esta tarefa. Precisamos entender e respeitar suas motivações.

2. Você precisa alocar recursos significativos

Integrar ESG ou tirar o máximo de insights a partir das análises demanda recursos significativos em termos de análise, conhecimento e experiência. Não se trata de um serviço adicional oferecido juntamente com produtos de investimento mainstream e empacotado numa brochura bonita.

3. Você precisa ser paciente

A maior parte dos resultados, tanto financeiros quanto em relação a pessoas e ao planeta levam tempo. Qualquer coisa que te disserem em contrário não é verdade.

4. Vai ser doloroso

Transformar modelos de negócios e comportamentos no contexto de investimentos, pessoas e planeta é um trabalho duro — cheio de desafios, conflitos e contradições. Mudanças de qualquer ordem sempre atraem fricções e normalmente encontram resistência.

5. Você precisa ser consistente

Transformar mecanismos financeiros e de investimento existentes para que eles sirvam às pessoas e ao planeta requer consistência nos fluxos de capital. Você não pode dar com uma mão (investir ou emprestar para soluções sustentáveis) e tirar com a outra (investir ou emprestar para soluções não sustentáveis).

6. Você será perdoado

Dados o aspecto temporal e os vieses do processo, o ESG deixa bastante espaço para melhora para qualquer um que seja consistente e queira melhorar os aspectos de pessoas e planeta.

7. Você precisa lembrar do S e do G

Sim, dentro do ‘E’ do ESG está a mudança climática e o aquecimento global, e o ‘E’ tem o papel mais proeminente dado o estado do nosso planeta. Mas sem o S e o G tudo está perdido, mesmo para o clima.

8. Você precisa ir além dos dados

Sim, dados ESG são importantes. E a qualidade dos dados está melhorando ano a ano, ainda que a uma velocidade lenta. Mas dados não são tudo. Análise bate de longe os dados, sempre.

9. Você precisa entender os limites

Não há fórmula pronta. E não há uma solução única para resolver tudo. Algumas geografias, setores e ativos são difíceis de transformar. E algumas pessoas na indústria financeira não vão mudar nunca.

10. Você sempre deve focar no resultado

Esqueça processos, brochuras e boas histórias. O que importa é o que alcança. Resultados tangíveis são o rei.

* Sasja Beslik é head de investimentos sustentáveis do banco suíço J. Safra Sarasin desde outubro de 2019. Antes disso, comandou a área de sustainable finance do nórdico Nordea, onde trabalhou por mais de 10 anos.

REPRODUÇÃO

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