A revolução das relações

Vivemos um importante período de transição que nos convida a MUDAR a forma como nos relacionamos com nós mesmos e com o mundo. Isto porque a consciência que criou o mundo que vivemos hoje não pode ser a mesma que nos ajudará a criar o futuro. 

Não fomos ensinados a desenvolver a nossa intuição, ter clareza de propósito, treinar o nosso olhar para oportunidades e sair da superfície encarando de frente e com profundidade a vida e os negócios que tocamos. Em uma era de conexão, estamos desconectados do que realmente importa. Novos tempos requerem novas formas de trabalhar e pensar. A revolução não surgirá com a criação de novas tecnologias, e sim, com novos comportamentos da sociedade.  

Qual o marco importante dessa revolução? Uma nova economia, que fala sobre trazer à tona mais flexibilidade, resiliência, propósito, foco no ser-humano e formas mais colaborativas e ágeis de fazer as mudanças acontecerem no mundo. Existem duas palavras-chaves para o mundo dos negócios nesta revolução: 

1- INOVAÇÃO porque o que é realmente inovador parte da resolução de problemas reais que, por consequência, tornam a vida das pessoas melhor. 

2- CONSCIÊNCIA porque o propósito precisa orientar as nossas escolhas pessoais e a nossa estratégia empresarial. 

Aqui cabe uma reflexão importante sobre cultura consciente, pois a cultura de uma empresa é a representação da consciência do coletivo que dela faz parte e, por isso, exerce um papel central no quanto a empresa está madura e alinhada com a nova economia. No entanto, ainda existe um forte entendimento no mundo corporativo de que empresas conscientes não geram resultado, o que é MITO

Segundo a Pesquisa Empresas Humanizadas do Brasil 20/21, os indicadores das empresas conscientes, são melhores em vários sentidos, como por exemplo, são 74% mais inovadoras, possuem 27% maior reputação de marca, geram melhor experiência para os clientes em 35%, melhor experiência dos colaboradores em 27%, criam um ambiente de maior bem-estar em 51% e um ambiente de maior inclusão e diversidade em 48%. Além disso, a mesma fonte mostrou que as empresas de capital aberto performaram 5,5 vezes mais na bolsa de valores brasileira (fazendo uma análise dos resultados desde 1988 até 2020 das 427 maiores empresas). 

Como as empresas podem começar uma transformação para uma cultura mais consciente? 

1- Segundo o John Mackey, co-fundador e CEO do Whole Foods Market, o primeiro passo é a consciência e o entendimento de que o DNA de uma cultura mais consciente não é o mesmo que uma empresa que seja um “ótimo lugar para trabalhar”. Os fatores que diferenciam estes dois é o senso de propósito e o foco em relações ganha-ganha-ganha, pois uma cultura consciente, mostra na prática o entendimento de que a prosperidade de um negócio passa pela geração de valor para todos os envolvidos. 

2- O segundo passo é passar a comunicar de forma verbal e com ações concretas, valores que são considerados qualidades de culturas conscientes, são eles, Confiança, Responsabilidade, Cuidado, Transparência, Integridade, Lealdade e Igualdade. 

3- Criar novas formas de trabalhar que sejam abertas, colaborativas, ágeis e que partam da lógica de que o futuro é um ativo do presente e não podemos viver sempre na roda de hamster da lógica imediatista e de resultado a qualquer custo. 

Se a gente entender quem somos e nos conectarmos com isso, a gente muda. 

Se a gente entender que a “razão social” de uma empresa não é o lucro, a gente muda e gera mais lucro ainda.

Se a gente colocar um projeto em ação, sem desistir nos primeiros obstáculos, a gente muda. 

Se a gente acreditar mais na gente e no outro, a gente muda. 

Já dizia Margareth Mead, antropóloga norte-americana:

“Nunca duvide que um pequeno grupo de pessoas conscientes e engajadas possa mudar o mundo. De fato, foi sempre assim que o mundo mudou”. 

Margareth Mead

Evelin Bicca é especialista em Inovação e design thinking e Conselheira da Filial Regional do Capitalismo Consciente no Rio Grande do Sul.  Acredita que é necessário mudar alguns comportamentos e ações do mundo dos negócios para que consigamos assim criar, de forma efetiva, um mundo melhor. Por isso, hoje o seu propósito é ajudar empresas e pessoas a atuarem na nova economia, principalmente, através do empreendedorismo. Depois de viver a inovação em diferentes cenários nos últimos 13 anos, usa a sua experiência para ajudar empreendedores e empresas a tirarem as suas ideias do rascunho e assim, criarem projetos reais, de impacto, inovação e consciência. 


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