Engajamento é o maior desafio e trunfo de franquias

Movimento Franchising Consciente quer disseminar boas práticas de gestão e governança para impulsionar negócios mais sustentáveis


Por Katia Simões — De São Paulo

Não há como negar que o franchising está se movimentando em diversas frentes. No início de março, o Grupo Bittencourt de varejo e franquia e o Instituto Capitalismo Consciente lançaram o movimento Franchising Consciente, que visa impulsionar boas práticas de franqueadores e franqueados para o desenvolvimento de um ecossistema de negócios mais humanizado. “O objetivo é contribuir para que as redes estejam cada vez mais comprometidas com boas práticas de gestão e governança, a fim de que sejam sustentáveis e alcancem melhores resultados”, diz Cláudia Bittencourt, presidente do conselho consultivo do Grupo Bittencourt.

Iniciativas como essa chamam a atenção não só dos franqueadores, mas de muitos franqueados. Algumas redes há tempos adotam tais práticas, porém, de maneira isolada. É o que vinha acontecendo na Clube do Turismo, com 563 unidades e um faturamento de R$ 79,4 milhões em 2021. “Sempre implementamos ações que hoje fazem parte da agenda ESG, todavia,

sem formalização”, afirma Ana Virgínia Falcão, CEO e cofundadora da rede. “Em julho de 2021, durante uma reunião com o conselho de franqueados, tivemos essa demanda.”

A fim de institucionalizar as práticas, a Clube do Turismo contratou uma consultoria especializada em meio ambiente e colocou para rodar um projeto piloto na unidade de Ribeirão Preto (SP).

“Avançamos bem em sete dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável propostos pela ONU para serem atingidos até 2030, com ênfase na preservação do meio ambiente e equidade de gênero”, diz Ana Virgínia. “Para se ter uma ideia, 70% dos clientes da franquia aderiram à ação proposta de compensação de carbono.” O próximo passo, segundo a CEO, é

expandir o projeto para toda a rede. “Nosso propósito é provocar uma maior consciência em toda a cadeia do turismo, queremos ser agentes ativos nessa conscientização, que ainda é muito tímida no setor.”

Na visão de Rodrigo Abreu, diretor da comissão de ESG da ABF, toda rede tem pelo menos uma ação estruturada dentro de cada um dos três pilares, porém, na maioria delas, o processo não está institucionalizado. “À medida que essa prática se formaliza, mais inspiradora se torna para outras redes seguirem o mesmo caminho”, afirma. “A mesma regra vale para a rede e seus stakeholders. Quanto mais a franqueadora engajar os franqueados e fornecedores, maiores serão as chances de a agenda ESG virar parte da rotina das franquias.”

Ciente de que a agenda ESG não é uma exclusividade das grandes empresas, Natiele Krassmann e Veronicah Sella, fundadoras da rede Criamigos – especializada na criação e personalização de bichos de pelúcia, com 42 unidades e faturamento de R$ 150 milhões em 2021- há um ano decidiram criar um comitê dentro da franqueadora. “Buscamos a ajuda de uma consultoria especializada para organizar as ações que eram pontuais, embora fizessem parte do nosso DNA” diz Natiele. “Eles estão realizando um levantamento nas três frentes e diante dos resultados, passaremos a alinhar as metas com o planejamento estratégico da marca.”

Mesmo sem o diagnóstico finalizado, a franqueadora sabe que no pilar social a Criamigos está mais avançada, uma vez que faz parte do propósito da marca espalhar amor por meio das pelúcias.

“O braço social é muito forte inclusive entre os franqueados, o ambiental tem ações pontuais bastante significativas, como o envolvimento de comunidades de catadores de papel nas atividades do centro de distribuição e adoção de embalagens reutilizáveis”, revela Veronicah. “Para o próximo ano, a meta é expandir as práticas da economia circular, nos posicionando não só na teoria, mas principalmente na prática, como uma empresa que se preocupa com o consumo consciente”, finaliza.

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