Gerenciamento de Stakeholders e Gerenciamento de Riscos

Uma abordagem integrada e efetiva

Evolução no entendimento de propósito relacionado aos stakeholders nas organizações.

A ideia e a consequente implantação de empreendimentos têm, em um primeiro momento, o propósito de gerar retorno econômico para os seus proprietários. 

Essa perspectiva foi corroborada no início da década de 70 pelo renomado economista, Prêmio Nobel de Economia, Milton Friedman, que afirmava que o único papel social das empresas era aumentar seu lucro ou valor de mercado em benefício dos acionistas. 

Mais de uma década depois, em 1984, R. Edward Freeman publicou o livro Strategic Management: A Stakeholder Approach. A publicação gerou um grande impacto em relação a como a sociedade entende o papel social das empresas, uma vez que defendeu a tese de que os gestores deveriam considerar todos os stakeholders, e não somente os acionistas, na tomada de decisão.

Podemos dizer que a estratégia de se orientar para os stakeholders começou a ser evidenciada em 2007. 

Raj Sisodia, Jaf Shereth e David Wolff, por meio de um estudo acadêmico que deu origem ao movimento global do Capitalismo Consciente, mostraram ao mundo, que esta estratégia fazia com que as empresas conseguissem manter alta reputação e fidelidade dos clientes, mesmo sem investir muitos recursos em marketing e publicidade.

Mais recentemente, já em 2021, a tese defendida por Freeman e pelo Capitalismo Consciente evoluiu e atingiu em cheio o mercado global. 

Laurence D. Fink, fundador, Chairman e CEO da BlackRock, maior gestora de ativos do mundo, escreveu em sua tradicional e tão aguardada carta anual aos CEOs as seguintes palavras: “Há muito, acreditamos que nossos clientes, na qualidade de acionistas de sua empresa, serão beneficiados se vocês conseguirem criar valor duradouro e sustentável para todos os seus stakeholders”. Além disso, relembrou que na sua carta de 2018, já exortava as empresas que articulam seus propósitos nesse sentido e como isso beneficia todos os stakeholders, incluindo acionistas, colaboradores, clientes e as comunidades onde operam. 

Ele ainda destacou que ao longo de 2020, as empresas com propósito, com melhor perfil ambiental, social e de governança (ESG), tiveram desempenho superior aos seus pares.

Como operacionalizar este conceito na prática?

Todos concordamos que este é um caminho sem volta e que, gerar valor à sociedade por meio de nosso trabalho, de forma alinhada com nossos valores e propósito, faz com que o nosso “ganha pão” seja muito mais motivador. 

Agora vem a pergunta. Como colocar todo esse discurso na prática? 

Defendo a seguinte tese: Processos bem estruturados aliados à tecnologia. 

Há no mercado soluções que consideram boas práticas globalmente difundidas que orientam processos para condução de um efetivo Gerenciamento de Stakeholders integrado a processos de gerenciamento de Riscos. 

A tecnologia é maior aliada nesse contexto, pois permite a facilitação da obtenção de dados de forma organizada e estruturada, a transformação dos dados em informação e consequentemente em conhecimento acessível, culminando com o subsídio à tomada de decisão inteligente. 

Por que Riscos?  

Toda organização bem estruturada deve ser orientada por processos de gerenciamento de riscos. 

O ambiente ao qual estamos expostos é cercado de incertezas, porém, ao mesmo tempo, nossas experiências nos permitem prever muitas delas de modo a antecipar ações que promovam as oportunidades e que mitiguem ou evitem as ameaças. 

Não precisamos nos aprofundar em análises complexas para concordar que a maior parte dos riscos identificados têm causas atreladas à stakeholders

É neste contexto que, metodologias que aliem essas duas perspectivas de forma integrada à eficiência dos processos gerenciais cotidianos com o auxílio da tecnologia, tendem a ser mais assertivas na definição e na consecução de objetivos estratégicos que considerem as questões ESG.

Rafael Dal Molin é Conselheiro na Filial Regional do Capitalismo Consciente em Santa Catarina, Cofundador e Diretor Executivo do Grupo Lago Azul, formado pelas empresas Lago Azul Consultoria e ERD Consultoria. Tem experiência no mercado de consultoria ambiental a mais de 20 anos e atuação direcionada para o setor elétrico, presta serviços para os principais players do mercado

Felipe Batista é engenheiro florestal e mestre em produção vegetal, ambos os títulos conferidos pela Universidade do Estado de Santa Catarina. Pela Fundação Getúlio Vargas, tem o título MBA em Gestão Empresarial com ênfase em Gerenciamento de Projetos. Há 10 anos coordena, pelo Grupo Lago Azul, equipes multidisciplinares no âmbito do licenciamento ambiental de grandes empreendimentos do setor de energia brasileiro.  

Compartilhe

Share on whatsapp
Share on facebook
Share on linkedin
Share on telegram

Deixe seu comentário

Posts recentes

Cuidar da água é tarefa de todos!

A água — e principalmente a falta dela — é um tema recorrente. Está nos debates escolares, nos noticiários e, em casos extremos, nas torneiras secas de algumas grandes cidades do mundo. Na nossa vida cotidiana, sua presença é marcante: afinal, 70% do nosso corpo é água. Nossa atenção só é chamada para ela, justamente, quando falta. Ou, então, quando ela vem em excesso, em catástrofes climáticas cada vez mais comuns.

A importância da biodiversidade

Áreas de Alto Valor de Conservação (AAVC) são formadas por milhares de hectares de florestas nativas nos diversos biomas do Brasil onde crescem espécies endêmicas e ameaçadas da fauna e da flora. Toda floresta tem valor ambiental e social, mas essas áreas, conhecidas com AAVC, são consideradas especiais.

Embaixador(a) I

R$ 0,00