Liderança consciente: teoria & prática

Um líder consciente na teoria

Segundo os criadores do Capitalismo Consciente, John Mackey e Raj Sisodia, ser um líder consciente perpassa uma soma de diversos pontos, tais como: 

1. Se autoconhecer e entender com o que ele se identifica e pelo o quê e de que forma ele luta diariamente. 

2. Ser capaz de identificar os ônus e bônus de cada desafio e sempre os enxergar como uma oportunidade de crescimento. 

3: Possuir uma série de características que o destacam, tais como: inteligência emocional, espiritual e sistêmica (uma delas ou as três juntas), prestatividade, generosidade, integridade, capacidade de amar e cuidar, capacidade de aprender com os erros, capacidade de dar feedbacks, possuir corpo e mente saudáveis e ter firmes propósitos.

Um líder consciente na prática

Apesar de todos os tópicos citados acima, de nada adianta estar adequado a todos os aspectos de um líder consciente se não os colocar em exercício.  Mas como fazer isto? 

Liderança sob a óptica da PARTICIPAÇÃO

O líder consciente precisa ser aquela pessoa que participa. Participa do dia a dia da empresa colocando a mão na massa e dando exemplo para seus funcionários. 

Para poder participar, é preciso que o líder consciente entenda os valores e princípios pelos quais a empresa é regida, entenda os diferentes setores e as metas de cada um deles, entenda sobre sua cadeia de produção/serviços, entenda sobre a logística de funcionamento e sobre as políticas da empresa, entenda sobre as necessidades de seus funcionários, entenda o que pode e o que não pode ser aceito num ambiente de trabalho, entenda os impactos causados pela empresa, entre outras questões.

Ou seja: o líder consciente é a pessoa chave do funcionamento da empresa e da mesma forma, é a pessoa que precisa dar o exemplo de boas condutas para aqueles que atuam nos diferentes segmentos da empresa e que são seus subordinados.

Tal questão é decisiva para uma empresa dar certo, posto que a compreensão correta do todo leva à uma participação de qualidade e a demonstração de envolvimento leva a um poderoso exemplo e incentivo para os stakeholders internos (funcionários).

Liderança sob a óptica do MINDSET

O mercado empresarial precisa estar atento às mudanças que ocorrem diariamente no mundo. Assim, o líder consciente deve possuir um MINDSET aberto para novas ideias, novas culturas e novas formas de gerir a empresa. Deve existir a abertura necessária para a realização de uma gestão integrada, a qual deve se pautar em um conjunto de boas práticas que fazem parte dos pilares da governança corporativa: 

  • Equidade: todos os stakeholders devem receber tratamento equânime;
  • Prestação de contas: transparência na prestação de contas;
  • Responsabilidade corporativa: toda empresa tem responsabilidades em relação ao ambiente em que está inserida para crescer de forma eficiente e sustentável; 
  • Transparência: a empresa deve agir de forma transparente e de acordo com princípios éticos.

Liderança sob a óptica da COMUNICAÇÃO OBJETIVA

Um líder consciente deve saber se comunicar com seus stakeholders. Tal ponto é possível de se atingir através, por exemplo, da criação de um Código de Conduta para a empresa, com políticas e diretrizes de seu funcionamento, escrito de maneira objetiva e clara, para que fique fácil o entendimento das orientações a serem seguidas.

Ou ainda, por exemplo, através da criação de canais de interação entre os stakeholders internos e externos com a empresa para tirar dúvidas e realizar denúncias de maneira anônima, prezando pelo bem-estar dos funcionários e fornecedores assim como pelo melhor desempenho da empresa.

Liderança sob a óptica da LEGISLAÇÕES

O líder consciente precisa estar atento a quais normas, em diferentes esferas, sua empresa precisa se adequar para que não haja prejuízos materiais e imateriais.  Por exemplo, na esfera ambiental, a adequação às legislações a nível municipal, estadual e federal pode prevenir a ocorrência de riscos tangentes às questões administrativas e jurídicas. Ou seja: aplicação de multas, condenações nas esferas civil, administrativa e penal, assim como riscos atinentes às questões reputacionais. 

A longo prazo, a adequação às legislações pode trazer economia em gastos com questões jurídicas, de modo que a empresa está adotando condutas preventivas com essas adaptações e dessa forma, acaba-se por auferir lucro através do dinheiro não despendido em problemas judiciais.

Sob a óptica da ANÁLISE DE RISCOS

Um bom líder consciente está sempre atento aos riscos que sua empresa pode gerar para si e para a sociedade. Por isso, é primordial que seja feita dentro da empresa uma análise de riscos,  sendo um excelente caminho para identificação de passivos que necessitam ser modificados, bem como desvios e violações.

A partir de uma matriz de riscos se consegue identificar os passivos a serem resolvidos com maior e menor urgência e cria-se um plano de ação e um cronograma de execução do mesmo para resolver tais problemas.

Implementando condutas práticas da liderança consciente

Todas as condutas acima citadas podem ser implementadas em conjunto através de um mecanismo chamado Compliance, o qual se caracteriza por um Sistema de Políticas e ações por meio do qual uma organização se relaciona com seus Stakeholders internos (administradores e funcionários) e externos (clientes, acionistas, parceiros comerciais, fornecedores, poder público e outros), devendo ser confiável e transparente. Afinal, sem um bom mecanismo, um bom líder consciente não consegue exercer sua missão.

*Maria Eduarda Gasparotto de Azevedo Bastian, Advogada sócia da MEGA Consultoria Ambiental, Mestranda e Conselheira do Capitalismo Consciente no Rio Grande do Sul 

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