Liderança Consciente – uma transformação social do EGO para o ECO

Se há um assunto que está em constante evolução e ressignificação é sobre a “Liderança”. Independente de cargo, ser líder é uma habilidade comportamental desenvolvida à medida que sentimos a necessidade de nos posicionarmos frente as situações que exigem escolhas e por vezes mobilização de outras pessoas. O tema Liderança sempre está em constante desenvolvimento, uma vez que o campo de sua atuação exige reposicionamento, mudanças de conceitos e integração de outras referências teóricas que empoderam uma prática que atenda às necessidades de todos.

O contexto atual exige a necessidade de empresas desenvolverem suas estratégicas orientadas às práticas que sustentam uma cultura ESG – Environmental, Social and Governance, é uma sigla em inglês que traduzida significa “Ambiental, Social e Governança’’. Uma cultura que priorize um posicionamento no mercado e um crescimento financeiro, cujas ações suportem os pilares da Governança, do Social e do Meio Ambiente.

Como incremento, de acordo com os estudos da Teoria U, desenvolvido por Otto Scharmer – professor principal no Massachusetts Institute of Technology (MIT), atualmente vivemos uma desconexão social, ambiental e espiritual. O que requer uma necessidade de transformação social no nosso ambiente, no qual demonstra que cada vez menos podemos contar com padrões do passado e mais precisamos aprender a identificar e nos sintonizar com as oportunidades do futuro que emerge. O passado como aprendizado do que foi feito para estar no atual momento e o presente para reconhecer e sentir as necessidades do futuro. Para reagirmos, a partir de um futuro que emerge, precisamos suspender nossos julgamentos e medos, redirecionar a nossa atenção, deixar ir o passado, aceitar o futuro que emerge por meio de nós e deixar vir. Quando essa mudança acontece as pessoas começam a operar de acordo com o que, segundo Otto Scharmer, é a essência do ideal de liderança hoje.

Para isso, o Líder precisa compreender a necessidade de uma autoconsciência social sobre o impacto que ele gera através das suas escolhas do EGO para o ECO. Ou seja: o quanto o Líder se conhece a ponto de compreender os efeitos da sua tomada de decisão sobre sua vida e carreira e a abrangência no campo social no qual se relaciona. Um agente de mudanças que promove a expansão do foco da cabeça para o coração, a começar por levar em consideração o bem-estar de todos, inclusive o próprio bem-estar.

As organizações e a sociedade como um todo, para perpetuar sua existência, precisam, através das lideranças, criar ambientes cujas pessoas de diferentes perfis e responsabilidades, sejam essas, empreendedores, ativistas, empregados, fornecedores, clientes, possam desenvolver uma autoconsciência capaz de ter: uma mente aberta para poder suspender velhos hábitos de pensamento e tornar-se mais curioso para as oportunidades e ou situações desafiadoras; um coração aberto para poder sentir empatia, ou ver uma situação pelos olhos do outro; uma vontade aberta para deixar o passado ir e deixar o novo vir, exercitando a coragem por protagonizar algo pela primeira vez. Assim, a Liderança Consciente torna-se o modelo de gestão que promove e impulsiona um futuro cuja cultura seja sustentável.

A Liderança Consciente mobiliza uma gestão que engaja os stakeholders internos e externos de uma organização a tornarem-se pertencidos ao negócio, e que começa quando fundamentam e sensibilizam a missão, a visão e o propósito da organização de forma compartilhada. Uma liderança servidora, cujos direcionamentos são mais do que tarefas para executar, mas condutas que inspiram e engajam as pessoas e terem algo para acreditarem. É uma liderança que habilmente CUIDA e acredita que se cuidar dos seus colaboradores e parceiros, fará com que eles CUIDEM do seu negócio.

Mas o que de fato é Liderança Consciente? Inspirados nas referências de estudo de John Mackey (2021), a Liderança Consciente é reconhecida ao servir de forma que suas atitudes desenvolvem uma criação de valor, onde o financeiro torna-se consequência de todos os outros valores que podem ser criados, a partir dos relacionamentos entre os diferentes stakeholders no ecossistema de negócios. Uma liderança que atua no principal ativo das organizações, as pessoas! E não somente no campo interno das organizações, representados aqui pelos acionistas e colaboradores, mas numa ampla rede de stakeholders, que também incluem fornecedores, clientes, comunidade local e na sociedade como um todo.

Enfim, uma Liderança Consciente que compreende que a transformação começa de dentro para fora, ou seja, suas atitudes começam primeiramente sobre como melhor se relaciona consigo mesmo, logo com os outros e por consequência com o sistema como um todo. A necessidade do movimento do EGO para o ECO!

Então, o quanto você se identifica como Líder Consciente? Bora, transformar esse mundo?


Tatiana Costa é mestre em administração, educadora acadêmica e organizacional. Atua no desenvolvimento comportamental de pessoas e de cultura organizacional com foco em ESG.


Confira também:

Compartilhe

Share on whatsapp
Share on facebook
Share on linkedin
Share on telegram

Deixe seu comentário

Posts recentes

Há muito mais na cultura do que se imagina

A cultura de uma organização é formada pelo conjunto de crenças, comportamentos e valores das pessoas que atuam nela. Logicamente, elas são atraídas por um determinado tipo de comportamento, ritos, normas, “jeitinho” do funcionamento dos líderes e de outras pessoas que já estão lá há mais tempo. Aparecendo ou não nos manuais internos, toda empresa tem uma cultura.

Embaixador(a) I

R$ 0,00