Liderança Shakti: desmistificando a Jornada Heroica Consciente

Liderança Shakti: desmistificando a Jornada Heroica Consciente

por Eliane Davila para o Instituto Capitalismo Consciente Brasil

A proposta da Liderança Shakti, título do livro de Nilima Bhat e Raj Sisodia, dá luz à  importância de uma maior consciência do ser humano na integração das forças femininas e masculinas que habitam em nós.

A história da nossa sociedade nos revelou um sistema patriarcal muito forte que acabou enfraquecendo as forças femininas na sociedade por muito tempo.  Agora, necessitamos curar este feminino que ficou desintegrado dentro de nós. É necessário resgatar este poder que nos foi violado para equilibrar as forças que nos permitirão transformar a sociedade e cuidar do planeta.

Como eu inicio a jornada heroica para integrar o feminino? 

A jornada heroica, proposta pelos autores da Liderança Shakti, ainda é uma jornada do desconhecido, pois nossa sociedade ainda não tem um modelo social de equilíbrio entre o feminino e o masculino para servir de parâmetro e nos guiar. Estamos em uma jornada sem referência para realizar a integração entre o feminino e o masculino dentro de nós. Por isso, na maioria das vezes, é difícil sair da  zona de conforto e dar o primeiro passo nesta jornada heroica.

Mas o que é a jornada heroica? 

A jornada heroica é buscar a evolução do ser humano. É o despertar das nossas potências e também o encontro com as nossas maiores sombras e os nossos maiores medos. Normalmente, somos chamados  à jornada por meio de uma crise ou um trauma.  É a partir daí que nós enfrentamos nossos medos e buscamos a nossa luz para  impactar o mundo de uma forma transformada. 

A jornada heroica é a mesma jornada proposta por  Joseph Campbell? 

A jornada heroica foi adaptada pelos autores do livro Liderança Shakti, tendo como base a teoria de Campbell e Maureen Murdok. A jornada de Campbell é a base da Jornada Heroica, contudo, com as reflexões de Murdock, a pesquisadora percebeu que ainda faltava, dentro da teoria de Campbell, a cura do feminino. Assim, Niima e Raj adaptaram a jornada heroica para contemplar a integração das duas teorias, ampliando o conceito para podermos vivenciar uma jornada heroica mais consciente. 

O que quer dizer uma jornada heroica mais consciente? 

A jornada heroica  só é verdadeiramente consciente se estivermos em estado de Presença. No estado de presença não ficamos com medo, não ficamos na defensiva e nem mendigamos a validação exterior. Quando seguimos na presença, conseguimos compreender que se chegamos até este ponto da jornada, podemos fazer novas escolhas. A chave para a mudança está ai, na antecipação da mudança. Não precisamos chegar em uma crise para mudar. A jornada heroica consciente trará mais  força, potência e integração às forças femininas e masculinas. Com isso, a jornada se tornará mais leve se a iniciarmos antes de estamos em uma crise.

Toda vez que conseguimos curar algo em nós, vamos retomando nossas forças e nossa liberdade. As mulheres, por exemplo, perderam o poder tentando ser algo que não eram.  Elas foram se violentando e perdendo a sua essência em virtude do patriarcado social. 

Um avião, por exemplo, pode até voar com uma asa só, mas não estará em sua plena potência. Este avião que chamamos de “Vida” tem duas asas, uma que é o masculino e a outra que é o feminino. Se não estamos plenamente conscientes,  começamos a ter um monte de crenças equivocadas sobre nossos “Eus”. Precisamos  matar todos os dragões que nos levam a acreditar na inferioridade das forças femininas. 

A sociedade inteira, durante muito tempo, validou que as forças femininas (forças como  o cuidado, o amor, a vulnerabilidade e a empatia) não possuem valor. É um processo que tem origem na nossa  ancestralidade. Quando descobrimos as qualidades necessárias (a presença do Shakti dentro de nós) devolvemos a nós mesmos esse poder feminino começamos a olhar para o nosso propósito de vida. 

O resgate do poder que buscamos na jornada heroica consciente é a busca pela liberdade. Você pode estar se perguntando “Mas como assim?… sermos livres de quê?” Livres das crenças que nos impedem de sair da zona de conforto e nos aventuramos pela jornada heroica consciente. 

Brené Brown, autora e pesquisadora do conceito sobre vulnerabilidade, comenta que é necessário começar a transformação pessoal o mais perto possível. O mais perto possível é em nós mesmos. Aventure-se. 

*Eliane Davila é Colider da Filial Regional do Capitalismo Consciente no Rio Grande do Sul e Doutora em Processos e Manifestações Culturais.

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