O fluxo de uma Liderança Consciente: um aprendizado sobre rotatórias e semáforos

Você conhece os benefícios das rotatórias urbanas em relação aos semáforos? Estudos da engenharia de tráfego afirmam que rotatórias podem contribuir para o fluxo das cidades e que possibilitam uma redução significativa no número de acidentes de trânsito, assim como, possuem um custo de implantação, inferior ao custo dos semáforos. 

No estudo “Mini rotatórias: contribuições para a redução de conflitos em interseções urbanas”, João Carlos Barbosa da Costa afirma que algumas das vantagens da utilização de mini rotatórias, em relação a outras formas de cruzamento, são: maior segurança no trânsito; maiores capacidades e menor tempo de espera; baixo custo de implantação e de manutenção. O autor também identificou uma redução no número de acidentes, sendo os mesmos somente com danos materiais e feridos sem gravidade, não sendo observado nenhum acidente com vítima fatal, o que representa um aspecto positivo na redução de acidentes com maior gravidade. O autor também considera o maior custo de implantação de semáforos, que é 35% superior ao custo de implantação de rotatórias. 

Transitando pelo ambiente empresarial

Assim como no trânsito de veículos, observa-se no mundo corporativo que a liberdade de expressão, a confiança na equipe e a segurança psicológica para a tomada de decisão, por parte dos profissionais, aprimora as relações de trabalho e a sensação de pertencimento das pessoas. 

Vivemos em um mundo em transformação, onde a velocidade da informação, a complexibilidade na gestão dos negócios e o acesso a dados está em alta, fica ainda mais difícil pensar na liderança sem o olhar da liderança consciente, com o entendimento de que o líder representa um dos fatores-chave de sucesso para atingir o propósito da organização. Portanto, assim como nas rotatórias, é importante possibilitar a autonomia, o olhar empático e a capacidade de conciliação das adversidades, na construção de equipes mais orgânicas e autorreguladoras de suas ações. 

Liderando com consciência e prezando pelo fluxo

A liderança consciente promove equipes mais intuitivas, que entendem os caminhos e conseguem, em momentos de decisão, encontrar alternativas no fluxo, com decisões baseadas em dados e na observação do seu entorno e não somente com base em um sinal de limite, passivo, que aguarda a autorização para conseguir avançar em um fluxo altamente controlado por um semáforo.

Nessa analogia, podemos comparar os semáforos aos líderes autocráticos que, se observarmos em um contexto de temporalidade, já foi um caminho para a gestão, em um período em que o controle, as regras e o limite eram o padrão. Porém, com o advento da gestão do conhecimento, esse modelo de liderança torna-se cada vez mais obsoleto. Já nesta mesma analogia, as rotatórias representam os líderes conscientes, pois eles estão ali, no centro do fluxo, para orientar e conduzir, permitindo a participação da equipe, cada um no seu tempo, com suas habilidades e com a autonomia de saber a hora certa de ingressar na rotatória e o momento certo de respeitar o fluxo dos demais colegas, de forma sistêmica e integrada.

Na liderança consciente o líder é o exemplo. Conduz e permite que as pessoas entrem no “flow”, do psicólogo Mihaly Csikszentmihalyi, que estejam totalmente envolvidos com suas atividades em uma sensação de prazer, pertencimento e foco total no que está fazendo, com a segurança para tomar decisão e agir no momento adequado. 

Para que o fluxo aconteça, é importantíssimo o autoconhecimento dos motoristas, a inteligência emocional, a capacidade de empatia, de relacionamentos e de trabalho em equipe para evitar acidentes de trânsito. É fato que continuarão acontecendo, mas em uma gravidade menor, muitas vezes somente com danos materiais. É necessário priorizar a vida e a integridade das pessoas, assim como a saúde do trânsito, permitindo uma cidade melhor, mais organizada e com resultado de ganhos potencializados. Com isso, fortalece-se uma cultura positiva, de colaboração, de conciliação e de espírito de equipe. 

Novas formas de conduzir as empresas

Nesse sentido, chegou a hora de repensar e reprogramar o mindset para um modelo mental de crescimento, repensando ações. Que tal, ao invés de regras, combinações? Passar de deliberações, para acordos? De advertências, para orientações? Será que, dessa forma, as pessoas se sentiriam participantes e responsáveis pelo sistema? Será que não chegou a hora de compartilhar a liderança com a equipe, a fim de empoderar as pessoas e ressignificar os papéis? Avalie a maturidade de sua equipe, seja exemplo condutor, potencialize resultados e seja mais consciente. 

Graciane Berghahn Konzen 

Conselheira da Filial Regional do Capitalismo Consciente no Rio Grande do Sul 

Referências:

Csikszentmihalyi, Mihaly.   Flow: A psicologia do alto desempenho e da felicidade. Rio de Janeiro: Editora Objetiva: 2020

Costa, João Carlos Barbosa da. “Mini-rotatórias: contribuições para a redução de conflitos em interseções urbanas”, 2010.  Disponível em: https://repositorio.ufpe.br/bitstream/123456789/5863/1/arquivo6734_1.pdf

  1. MACKEY, John; SISODIA, Raj. Capitalismo Consciente: como libertar o espírito heroico dos negócios. Rio de Janeiro: Alta Books: 2018.

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