O LÍDER VERDADEIRO TRANSCENDE

“Aquela e aquele que lideram devem, antes de tudo, levar seus liderados mais longe, e ter em mente um conceito simples: altruísmo (selfless, em inglês). É do altruísmo que derivam as caraterísticas do líder consciente: força, entusiasmo, orientação no longo prazo, flexibilidade, amor e cuidado, inteligência emocional, inteligência sistêmica e inteligência espiritual.”

Ouvir de viva voz e conhecer o indiano Raj Sisodia, autor, professor e cofundador do Conscious Capitalism Inc., do qual provém o Instituto Capitalismo Consciente Brasil, é um desses privilégios que a gente passa uma vida a agradecer. Primeiro, por estar diante de um precursor de um movimento da mais alta relevância, especialmente em um momento em que se discute os rumos de um planeta profundamente desigual e carente. Mas, principalmente, um privilégio por estar diante de uma mente generosa e iluminada.

Raj esteve no Brasil por apenas 48 horas, para lançar a edição brasileira de seu mais novo livro “Liderança Shakti: o equilíbrio do poder feminino e masculino nos negócios” (HSM | Instituto Capitalismo Consciente Brasil, 2018), escrito em parceria com Nilima Bhat, especialista em comportamento organizacional. A obra procura identificar as principais características de ambos os gêneros e apontar suas afirmações e inseguranças na busca por um novo mindset na liderança atual: mais humanizado, consciente, coerente e eficiente.

De acordo com Raj, que também é professor de marketing no Babson College e consultor de Negócios Globais, a convenção do business as usual é valorizar características “tradicionalmente masculinas”, como disciplina, coragem, individualidade, dominação; e desvalorizar as femininas, como sensibilidade, criatividade e sabedoria, nas posições de liderança.

Entretanto, a chave, nos diz Raj, “está justamente no equilíbrio dessas duas forças”.

A grande mudança está em mulheres e homens atuarem juntos e equalizarem seus lados masculinos e femininos no momento em que estes são necessários.

Homem não chora?

A depreciação da sociedade, quando se trata de atributos femininos não é deste século nem do passado. Nem mesmo do anterior. E também não ocorre somente no mundo dos negócios. Quando repreendemos um menino verbalizando que “homem não chora”, por exemplo, acabamos suprimindo um sentimento que não precisa – e não deve – ser mascarado.

Esta cultura dá abertura para um comportamento muito mais duro e agressivo no futuro e demanda, urgentemente, uma mudança de mentalidade.

Liderança Shakti

Raj Sisodia nos ensina que o equilíbrio só será atingido se recuperarmos a força feminina, que é regeneradora, cooperativa, criativa e empática. Estas características estão diretamente associadas ao conceito de Shakti, que, na tradição indiana, significa “a fonte de criação, sustentação e transformação que alimenta o ciclo da vida”.

A Liderança Shakti propõe uma nova consciência para líderes, tanto homens, quanto mulheres, no intuito de humanizar o desenvolvimento pessoal e coletivo de cada organização.

Resgatar estes valores está intimamente relacionado com o conceito do Capitalismo Consciente, que deixa de lado a ideia de que o capitalismo está associado à geração de lucro pelo lucro e foca na concretização do propósito e no impacto na sociedade.

“Criar uma nova cultura é algo que leva tempo, apesar de necessário”, nos lembra o iluminado Raj.

“A boa nova é que já está acontecendo.”

Abraço,

Marc Tawil

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