O que eu aprendi com a maternidade?

por Tarcila Ursini*

Como mãe do Vitto e do Pipo, e da cachorrinha Cacau, sou arte inacabada ou em permanente reinvenção. Em cada momento um universo, onde o instinto, o sutil tem cada vez mais morada….

É estar Presente (com p maiúsculo), permitir a troca, a escuta atenta, o aprendizado mútuo, onde a única regra é o amor. O amor que deixa fluir, que respeita o outro, que tenta não julgar. O amor do toque, do abraço, do aperto, do cheiro, da risada mais gostosa, do inusitado e lúdico, do colinho mais sincero, do olhar mais doce, dos valores, e às vezes das conversas duras, amargas regadas depois de um silêncio íntimo e doce.

É ser referência como porto seguro, enquanto se aprende e desbrava, mas despir-se pouco a pouco do perfeito, conforme o filhote vai amadurecendo e percebendo que a mãe é sim, muito imperfeita, mas humana. E então receber num dia triste de pandemia essa cartinha abaixo do seu caçulinha.

É a mais intensa e linda aventura, onde se aprende tanto e onde nossos valores, atitudes, mas também erros, posturas, trejeitos, se refletem escancaradamente no outro.

É lembrar sempre que “os melhores presentes que podemos dar aos nossos filhos são raízes e asas”… É saber que a convivência intensa e diária tem prazo, tornando-se pouco a pouco e deliciosamente, desnecessário…

É lembrar que cada um é único com seu “infinito particular”.

Criar é cuidar, amar muito e tentar interferir pouco, para que o que é do outro e realmente íntimo emerja em sua plenitude. “O que você acha dessa profissão mãe?” “Quer conversar com um amigo que faz isso? Vai lá e reflete”. “Acha que posso ser isso mamãe?” “Você pode tudo meu filho…”. A vida tem que ser plena e é sua, você encontrará o caminho.

Mas expandindo na essência da maternidade, para mim ela está na relação de sangue, mas também na de alma. Se é carinho, afeto, está na mulher, mas também no homem. Um amigo querido certa vez me disse assim: “chega um momento em que todas as crianças e todas as vidas passam a ser suas: você escuta um choro e logo se preocupa, escuta uma risada e ri junto…”. Assim que me sinto, com tantos e tantos amores e a vontade de cuidar.

Então na essência, pra mim é mesmo a “ética do cuidado” do “Saber Cuidar” do mestre Leonardo Boff, “o cuidado é suporte real da criatividade, liberdade e inteligência. No cuidado se encontra o ethos fundamental do humano. Nele identificamos os princípios, os valores e as atitudes que fazem da vida um bem-viver e das ações um reto agir”,

Que cuidemos de nós, dos nossos, de quem mais precisa, que cuidemos de nossa sociedade, que cuidemos da vida e da terra em sua plenitude. Que nos reconectemos com a natureza, com o outro e com nós mesmos. Que honremos a “Terra Mater”.

E que assim seja ????????.

Muito Obrigada meus filhos ️❤️

Muito obrigada Daniela Garcia e ICCB pelo convite a esse texto.

*Tarcila Ursini é Conselheira Independente, mentora de startups de impacto positivo e Conselheira deliberativa do ICCB gestão 2020-2022.

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