Oito lideranças femininas de ESG para seguir e se inspirar

Conheça as mulheres que estão impulsionando as pautas ambientais, sociais e de governança corporativa no Brasil
21 de julho de 2022

As empresas que não investem em programas da agenda ESG estão ficando para trás. A sigla refere-se a environmental, social and governance, que engloba as práticas de governança ambiental, social e corporativa de uma organização. Cada vez mais esses pilares são considerados na estratégia, nas análises de riscos e nas decisões de investimentos de uma companhia. 

Para além das práticas de sustentabilidade ambiental, a agenda envolve ações de diversidade, equidade e inclusão social, gestão de talentos, relacionamento com o consumidor, aspectos de governança como composição diversa do conselho administrativo, remuneração dos executivos e ética dos negócios. É uma área complexa com uma visão holística interna e externa de uma empresa.

Ações em sustentabilidade e governança são cada vez mais importantes, inclusive para os investidores. De acordo com a Pesquisa Global com Investidores de 2021, 79% consideram os riscos e oportunidades em ESG um fator importante na decisão de um investimento. O mesmo estudo constata que 82% dos entrevistados concordam que o ESG deve ser integrado à estratégia corporativa. Especificamente no Brasil, 85% das empresas que compõem o Ibovespa apresentam informações de suas ações ESG disponíveis para o público, segundo estudo da PwC.

Pensando nisso, selecionamos oito lideranças femininas que são referências quando o assunto é agenda ESG. São líderes do mercado brasileiro que merecem ser seguidas e prestigiadas pelo bom trabalho no tema.

Denise Hills, diretora de Sustentabilidade para América Latina na Natura&Co

Denise Hills (Crédito: Divulgação)

A Natura é uma das empresas que nos vêm à mente quando pensamos em agenda ESG. A responsável pelo sucesso da prática na empresa é Denise Hills, diretora global de sustentabilidade da companhia. Tanto que a executiva foi escolhida como SDG Pioneer Brasil-2022, prêmio que elege a melhor liderança de sustentabilidade, reconhecimento do Pacto Global da ONU.

O programa homenageia lideranças empresariais que estão fazendo um trabalho de referência na promoção dos ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável). Um dos destaques da empresa é o Programa Natura Amazônia, que foca na economia sustentável da floresta, no bem-estar dos povos regionais e no desmatamento zero. 


Luciana Nicoladiretora de Relações Institucionais, Sustentabilidade e Empreendedorismo no Itaú Unibanco

Luciana Nicola (Crédito: Divulgação)

Em 2021, o Itaú entrou para a Net-Zero Banking Alliance, um compromisso global organizado pela ONU que reúne 110 instituições financeiras comprometidas em zerar as emissões de carbono das suas carteiras até 2050. Ainda em 2019, a empresa lançou novos compromissos de impacto positivo, com metas que norteiam a estratégia da companhia pelos próximos anos.

Os objetivos são reunidos em temas gerais, como cidadania financeira, inclusão e empreendedorismo, gestão, investimento e financiamento responsável, preservação e promoção da Amazônia e gestão inclusiva. Luciana Nicola é a Diretora de Relações Institucionais, Sustentabilidade e Empreendedorismo do banco e diz que quer transformar o Itaú no “banco da transição”, tornando sua atuação cada vez mais sustentável.

Rozália Del Gáudio, diretora de Comunicação e Sustentabilidade na Localiza


Rozália Del Gáudio (Crédito: Divulgação)

Rozália Del Gáudio é diretora de Sustentabilidade da empresa de aluguel de carros e, no ano passado, ganhou o prêmio Aberje de Comunicadora do Ano. O programa de ESG da empresa está dividido em três pilares: mobilidade sustentável, educação e empreendedorismo para a transformação social, cultura e governança. Cada tópico tem temas prioritários e, no momento, o negócio aborda questões como a neutralização de gases do efeito estufa, geração de energias renováveis, diversidade e inclusão, desenvolvimento de talentos, ética e integridade e segurança no trânsito.

Em termos de mobilidade sustentável, a Localiza investiu em abastecimento com etanol para diminuição dos gases de efeito estufa. Também lançou o programa Neutraliza, para conscientizar seus clientes a diminuírem seus impactos nas mudanças climáticas. A empresa também aplicou esforços para capacitar e empregar jovens em vulnerabilidade no Brasil por meio do edital Juventude em Movimento. Já no âmbito da diversidade, a companhia criou um programa com mais de 600 colaboradores para atuar nas frentes de equidade e inclusão de gênero, LGBTQIAP+, pessoas com deficiência, raça, migrantes e refugiados.

Fernanda Ribeiro, CCO da Conta Black e presidente da AfroBusiness

Fernanda Ribeiro (Crédito: Divulgação)

Fernanda Ribeiro é Presidente da Associação AfroBusiness, ONG que promove a integração entre empreendedores e profissionais liberais negros, e é também cofundadora e CCO da Conta Black, comunidade financeira que enfrenta os desafios causados pela exclusão financeira. A executiva atua no desenvolvimento e fomento de ações e programas dedicados à diversidade, inclusão social e econômica de populações com recorte de gênero e raça.

O principal desafio das empreendedoras negras é conseguir acesso ao crédito, relata Fernanda ao Women to Watch. Além da dificuldade de comunicar sobre o seu negócio, as profissionais muitas vezes não acreditam no potencial do empreendimento. A atuação de Fernanda é ajudar essas pessoas, tanto em termos de empreendedorismo quanto na parte financeira.

Lisiane Lemos, gerente de Programas de Recrutamento de Diversidade, Equidade e Inclusão no Google para América Latina


Lisiane Lemos (Crédito: Divulgação)

Lisiane Lemos tem diversos prêmios e reconhecimentos em sua bagagem. Em 2017, integrou a lista Forbes Under 30 no Brasil e foi apontada como uma das mulheres negras mais influentes pelo MIPAD (Most Influential People of Africa Descent) da ONU, na categoria negócios e empreendedorismo. Ela também é uma Top Voice do LinkedIn e coleciona palestras sobre diversidade e inclusão.

No currículo, ela fundou e liderou iniciativas como a Rede de Profissionais Negros, o Comitê de Igualdade Racial no grupo Mulheres do Brasil, e o Conselheira 101. Atualmente, Lisiane é gerente do Programa de Recrutamento de Diversidade, Equidade e Inclusão para o Google na América Latina. Com larga passagem pela Microsoft, a gaúcha acredita no uso da tecnologia como instrumento de ascensão social no mundo corporativo.

Gabriela Chaves, economista e fundadora da NoFront 

Gabriela Chaves (Crédito: Divulgação)

Com a missão de democratizar o acesso à educação financeira, Gabriela Chaves fundou a NoFront – Empoderamento Financeiro. Economista, conselheira e palestrante, ela se dedica a ensinar finanças pessoais para as periferias do Brasil. O seu método de ensino é um tanto inusitado, mas muito impactante: utiliza músicas de rap para falar de dinheiro.

Além de oferecer soluções para pessoas e empresas, a startup disponibiliza bolsas de estudos e formações gratuitas para pessoas em situação de vulnerabilidade social. Os cursos recebem grande interesse da população feminina negra, de acordo com Gabriela – afinal, elas representam 28% dos brasileiros e muitas são chefes de famílias. Segundo a empreendedora, seu objetivo é acabar com a ideia de que “mulheres não entendem de finanças”.

Adriana Barbosa, fundadora da Feira Preta e CEO da PretaHub

Adriana Barbosa (Crédito: Arthur Nobre)

Há 20 anos, Adriana Barbosa fundava a Feira Preta na Praça Benedito Calixto, em São Paulo. Desde então, o projeto se tornou a maior feira de cultura negra da América Latina: já recebeu mais de 200 mil pessoas, com 1900 expositores e movimentou cerca de R$ 6,5 milhões em produtos e serviços. A partir dali, ela fundou a PretaHub, empresa que reúne diversos projetos de fomento a cultura, arte, economia e empreendedorismo negro. O hub engloba, além da feira, o Afrolab, Afrohub, Festival Pretas Potências, Festival Feira Preta, Fundo Éditodos e o Conversando a gente se aprende.

A empreendedora coleciona prêmios e reconhecimentos mundo afora. Em 2020, por exemplo, foi a primeira mulher negra da lista de Inovadores Sociais do Mundo no Ano, pelo Fórum Econômico Mundial. Sua atuação na área é tão forte que Adriana é consultora e conselheira de diversidade e inclusão para empresas como Netflix, Facebook, Google, Pão de Açúcar, Natura, MAC, Avon, Ambev e Carrefour. A executiva também foi eleita uma Women to Watch em 2021.

Marina Peixoto, diretora-executiva do Mover

Marina Peixoto (Crédito: Reprodução/Site)

Após 18 anos na Coca-Cola Company, onde chegou ao posto de Diretora de Diversidade e Inclusão, Marina Peixoto assumiu a direção do projeto MOVER (Movimento Pela Equidade Racial). Trata-se de uma coalizão de empresas que assumem o compromisso de criar um futuro com mais lideranças negras, maiores oportunidades, capacitação e transformação da consciência coletiva.

Dentre as empresas signatárias do movimento estão a Gerdau, Grupo Pão de Açúcar, Grupo Carrefour, Heineken, Education First, Ambev, Americanas e mais. A iniciativa se baseia em três pilares e metas: 10 mil cargos de liderança para pessoas negras até 2030, emprego e capacitação de profissionais negros e a conscientização do povo brasileiro sobre o tema.

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