A jornada ASG e Cultura Organizacional Consciente

Como a jornada ASG (ambiente, social e ambiental)  se relaciona com a cultura organizacional?  Você já pensou nisso? Esta breve reflexão tem como objetivo conectar estas duas temáticas para construirmos práticas mais conscientes e sustentáveis dentro das organizações.

Primeiramente, comento que por ser uma estudiosa da temática cultural, posso afirmar que a cultura influenciará a forma como o ASG será incorporado na organização. Conversando com os empreendedores locais, consegui identificar que as responsabilidades organizacionais podem evoluir apenas às questões de conformidade e legislação ou ir além apresentando impactos positivos à sociedade e ao planeta. 

As empresas ao adotarem, de forma genuína, as práticas ASG terão mais chance de trilharem caminhos que geram valor a todas as  partes interessadas. A implantação das práticas ASG alicerçadas na ausência de um propósito organizacional bem definido e em uma cultura que seja consciente, poderá acabar em um grande greenwashing, isto é, uma “maquiagem verde” onde a empresa cria uma falsa aparência de sustentabilidade, sem exatamente ter ações sustentáveis dentro da organização. Assim, a jornada ASG  deve estar incorporada nas práticas culturais das empresas.

A experiência genuína em ASG é nutrida, nas organizações, por uma cultura consciente que vai pavimentando a jornada da empresa, amparada em valores éticos e transparentes que impactam positivamente a sociedade e o planeta. Mas como eu identifico a minha cultura organizacional? Como eu sei que a empresa está preparada para a jornada sustentável?

A sugestão aqui é olhar para como a empresa toma as suas decisões no dia a dia. Por exemplo, se uma empresa tem ações de diversidade publicadas pela mídia, contudo não costuma sensibilizar a equipe para atuar contra o racismo, talvez ela tenha que dar um passo atrás na jornada, para que tenha um tempo de maturação e vivência cultural de ações práticas em ASG, antes de mostrar para a sociedade o que realiza. 

Outro exemplo que compartilho é aquela empresa que deseja trabalhar com pessoas com deficiências, contudo não está preparada para lidar com elas dentro da organização. Lidar com uma equipe diversa requer um trabalho interno com toda a equipe para que todos e todas possam se sentir bem para acolher o diferente. 

Uma última referência é a empresa que  deseja ter valores como ética e transparência como valores da organização, sem ter uma governança onde a ética, o respeito e a transparência não apareçam nas ações junto a todas partes interessadas no seu negócio.  É preciso alinhar o discurso à ação.  

É necessário que estejamos preparados para este alinhamento cultural para construção de  relacionamentos de respeito e confiança dentro e fora da empresa. Por isso, o primeiro passo da jornada ASG pode estar em um diagnóstico da cultura organizacional para identificar quais são nossos pontos fortes, nossas lacunas e qual é o propósito que a empresa é movida. O resultado dessa intervenção, pode definir o rumo da jornada ASG. Para tanto, lideranças organizacionais são convidadas a orquestrar os ajustes culturais necessários para um  processo eficiente, transparente e mais justo para todos. O ASG é uma das pautas mais pertinentes nos dias de hoje,  sem embargo, a pressa em colocar a agenda nas organizações pode nos levar a negligenciar o nosso planejamento interno, o repensar da nossa cultura e o engajamento das pessoas para o sucesso dessa transformação de impacto econômico, social e ambiental.  


Eliane Davila é colíder na filial regional do Capitalismo Consciente no Rio Grande do Sul e doutora em Processo e Manifestações Culturais.


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