Inclusão, Diversidade e Sustentabilidade na Indústria da Beleza: Um Passo Adiante

No cenário dinâmico do empreendedorismo de impacto, o III Fórum Brasileiro do Capitalismo Consciente proporcionou um momento para explorar as narrativas de comprometimento de empreendedores com a sustentabilidade. A palestra intitulada “Empreendedorismo de Impacto: a beleza da transformação” reuniu duas mulheres visionárias que desempenham papéis fundamentais no mercado de beleza sustentável no Brasil: Patrícia Camargo, cofundadora da Care Natural Beauty, e Daniele da Mata, da DaMata MakeUp. A mediação ficou a cargo da jornalista e criadora de conteúdo digital, Nyle Ferrari.

A Care Natural Beauty, uma marca jovem com cinco anos de existência, destaca-se no mercado sustentável brasileiro. Durante sua participação, Patrícia Camargo apresentou os desafios enfrentados pela empresa, enfatizando a necessidade de educar os consumidores sobre a proposta dos produtos e de seu valor agregado. De acordo com ela, durante a pandemia o mercado de clean beauty (beleza limpa) experimentou um crescimento significativo, impulsionado pela conscientização dos consumidores sobre a importância da saúde e do cuidado ambiental. “As marcas independentes têm feito esse papel de realmente educar os consumidores e fazer com que eles entendam a importância dos cosméticos aliados à saúde e que tenham um cuidado com o meio ambiente”, disse.

Já Daniele da Mata, especialista em pele e maquiagem negra, trouxe uma perspectiva valiosa sobre a inclusão na indústria da beleza. Ela afirmou estar percebendo o avanço na conversa sobre diversidade e inclusão, especialmente nas questões raciais e observou que a indústria despertou para a realidade de que a diversidade é rentável, mas ressaltou que o processo ainda está em andamento. “A indústria começou a perceber que está perdendo dinheiro. É uma população grande, mais da metade da população brasileira, que foi negligenciada por muito tempo com produtos mal feitos”.

A Care Natural Beauty, uma empresa de capital fechado, sobressai-se por sua lucratividade e abordagem sustentável. Patrícia mencionou a importância de manter três pilares fundamentais desde o início: alto desempenho dos produtos, impacto positivo no planeta e sustentabilidade financeira. Ao abordar o desafio de manter um preço competitivo, mesmo com expansão para todas as Sephoras do Brasil, ela revelou: “Ainda não é totalmente acessível, confesso, porque, de fato, a cadeia é bem custosa, onerosa, mas eu entendo que quanto mais empresas olharem para o mercado de clean beauty, beleza sustentável, mais oportunidades a gente vai ter de levar um produto mais democrático.”

A discussão sobre beleza limpa, que busca ingredientes mais naturais sempre que possível, foi destacada por Patrícia. Ela esclareceu que, embora a Care Natural Beauty utilize muitos ingredientes naturais, a empresa também recorre à biotecnologia para preservar o equilíbrio ambiental. “A gente utiliza muito de biotecnologia, para que não tenha uma exploração inadequada do meio ambiente.”

Patrícia destacou o compromisso da Care com a sustentabilidade, indo além dos ingredientes e considerando também a quantidade de produtos lançados no mercado. A empresa apresentou a prática de oferecer refis para produtos de cuidados com a pele e maquiagem, mesmo sabendo que o interesse inicial era inferior a 15%. Essa decisão exemplifica o esforço da Care em educar os consumidores sobre a importância do uso de refis para reduzir o impacto ambiental. Patrícia explicou: “A gente foca em ter embalagens de vidro. Nossos refis são em alumínio, que é um material infinitamente reciclável.”

Daniele trouxe à tona as lacunas persistentes na indústria da beleza quando se trata de atender plenamente às necessidades das peles negras. Ela enfatizou a falta de pesquisa específica para entender as características e preferências da população brasileira, incluindo diferentes tonalidades de pele e destacou a importância de representação nas empresas, desde os cargos de liderança até a equipe de desenvolvimento, para garantir a inclusão efetiva das necessidades das pessoas negras na cadeia produtiva. Ela ainda descreveu sua experiência na dificuldade de encontrar pigmentos que não acinzentem a pele negra e como o trabalho com mulheres negras em sua escola de maquiagem revelou a relevância da estética na construção da autoestima.

Voltando ao tópico da sustentabilidade financeira, Patrícia explicou como a Care Natural Beauty enfrentou o desafio de equilibrar os objetivos sustentáveis ​​com as demandas do mercado. Ela destacou a importância de não sacrificar os pilares fundamentais da empresa em busca de crescimento rápido. “É um crescimento não tão rápido, mas sólido, que faz com que a gente consiga olhar de uma forma mais cuidadosa para a saúde financeira da empresa”, falou.

Ambas as empreendedoras enfatizaram os desafios enfrentados no desenvolvimento de embalagens sustentáveis ​​no Brasil, onde a oferta de opções é limitada e a importação é dificultada pelos detalhes mínimos. Patrícia destacou a importância de grandes empresas do setor convencional também abraçarem a causa, facilitando o acesso a soluções sustentáveis ​​para marcas independentes.

Confira alguns cliques do painel no III Fórum Brasileiro do Capitalismo Consciente:

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