Inovação Sustentável e Equidade Global: A Visão Inspiradora de Lisa Coleman

Lisa Coleman, vice-presidente Sênior de Inclusão Global e Inovação Estratégica na New York University (NYU), cativou a audiência do III Fórum Brasileiro do Capitalismo Consciente com insights inspiradores sobre inovação sustentável, equidade global e colaboração intergeracional e multissetorial. Com uma carreira de mais de 30 anos na área de educação e uma vasta experiência em equidade, inclusão e inovação, Lisa, que lida diariamente com uma comunidade de cerca de 80 mil pessoas nos campus da NYU ao redor do mundo, apresentou sua visão sobre (RE)imaginar & Inovar através da Diversidade Internacional. E deu um show!

Para nortear a conversa, a especialista refletiu sobre a evolução da comunicação global que, ancorada na tecnologia, torna a conectividade instantânea, unindo pessoas em diferentes partes do mundo. E apontou o impacto dessas mudanças na equidade, destacando a questão dos viéses inconscientes que permeiam as decisões humanas e a necessidade de torná-los conscientes, especialmente ao enfrentar desafios como pandemias, disrupções tecnológicas e vulnerabilidades no emprego.

“Tomamos decisões com base em duas coisas: ou sentimos que pertencemos e que somos aceitos ou sentimos que há medo no sistema. Ou seja, somos um ou outro, e esses são os dois opostos polares. O viés acontece quando nos sentimos desconfortáveis com a diferença ou com mal-entendidos etc. E esse viés nem sempre é consciente.”

Lisa também analisou as desigualdades e disparidades nos Estados Unidos, ressaltando a semelhança com a situação no Brasil, que afeta não apenas o bem-estar social, mas também dificulta o progresso econômico. Sua apresentação incluiu dados impactantes sobre o potencial econômico perdido devido às disparidades de gênero e raciais nos Estados Unidos – algo em torno de 20,2 trilhões de dólares. De acordo com ela, a promoção da igualdade resultaria em ganhos significativos no PIB nacional, constatação que guiou o público para uma reflexão sobre a importância do investimento consciente e do retorno econômico que pode ser alcançado por meio da equidade.

“O que quero dizer sobre esses pontos em comum é que há grandes possibilidades, mas também há muitas disparidades e desigualdades que nos impedem de ser tão grandes quanto podemos ser.”

E a apresentação impactante de Lisa não parou por aí! Ela se aprofundou na relação entre investimentos, ecoviabilidade global e as ações de impacto nos níveis individual, interpessoal, institucional e estrutural. Distanciando-se de abordagens pessimistas sobre disparidades, Lisa direcionou a conversa para o otimismo e a construção de um futuro mais equitativo. Citando o livro “O Bônus da Diversidade”, de Scott E. Page, ela destacou como a diversidade supera consistentemente a homogeneidade, proporcionando um “bônus” que impulsiona produtos e empresas para novos patamares.

Ela ainda citou a importância de adaptar estratégias para envolver grupos diversos, com destaque para as gerações emergentes e falou sobre as pesquisas envolvendo as gerações, desde a Geração Perdida (1890 – 1915) até a Alpha (2013 – 2025), ressaltando as mudanças nas atitudes em relação ao trabalho e à liderança. Ao trazer a discussão para o contexto brasileiro, Lisa conectou as tendências observadas nos Estados Unidos à realidade do Brasil, evidenciando a presença de forças de trabalho multigeracionais e os benefícios decorrentes de relações intergeracionais.

Durante sua fala, Lisa proporcionou ao público uma compreensão mais profunda sobre como a diversidade, em sua expressão mais ampla, não apenas enriquece a experiência humana, mas também impulsiona a eficácia organizacional e o sucesso econômico. A VP também alertou sobre a armadilha de rotular gerações emergentes como problemas, incentivando, em vez disso, a considerá-las como ativos valiosos. Essa mudança de perspectiva, segundo ela, é crucial para migrar para modelos baseados em vantagens e força, trabalhando colaborativamente com as novas gerações para criar um espaço inovador.

“A Geração X (1965 – 1979) está se agarrando às posições de liderança. Já os Millennials (1980 – 1994) e a Geração Z (1995 – 2012) não estão contentes com as pessoas que ocupam estas posições. Por isso, temos um aumento do empreendedorismo. Pessoas das Gerações Millennials e Z saindo das empresas para criarem as suas próprias empresas. Aliás, estas são as gerações mais diversificadas da história.”

A apresentação de Lisa também abriu espaço para discussões sobre o conceito de cidades inteligentes, em que ela apontou a necessidade de direcionar o desenvolvimento não apenas para a cidade, mas também para a comunidade e revelou oportunidades de envolvimento para as gerações emergentes em programas pós-escolares, oferecendo novas perspectivas de inovações. 

“Para chegar à verdadeira inovação, é preciso pensar na equidade. E como é que se faz isto? Como é que se cria esta possibilidade? Bem, antes de mais, são necessárias duas coisas: um plano e uma estratégia.” 

A palestrante abordou a integração dos conceitos de RSE (Responsabilidade Social Empresarial), ESG (Ambiental, Social e Governança) e ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável), salientando a importância de superar barreiras e silos para enfrentar os desafios globais de maneira mais eficaz. Lisa falou sobre a relevância da pesquisa baseada em dados, planos estratégicos e práticas fundamentadas em evidências para abordar problemas complexos. Ela encorajou a colaboração e a abertura para superar desigualdades digitais e promover inovações globais, dando como exemplo a sua experiência com a criação de computadores a partir de peças reutilizadas na Eritreia, um país vizinho da Etiópia, na África. 

“E se houvesse um programa global que reunisse peças de computadores para construir computadores para o futuro? E se houvesse um programa global que reunisse pessoas de diferentes regiões para o fazer? Aprender uns com os outros? Pensem nas possibilidades disso. É a isso que me refiro em termos de ecossistemas de ligação e de ecossistemas de reflexão sobre a forma como abordamos realmente os ODS e os objetivos em relação ao nosso ESG. E isso vai exigir muitas vezes que saiamos dos nossos silos.”

Outro tópico abordado foi a energia solar, com Lisa mencionando o potencial e a necessidade de envolver comunidades globais na exploração e implementação dessa fonte de energia sustentável. Ela também realçou a importância de parcerias multissetoriais, interdisciplinares e transgeracionais envolvendo governo, educação e outros setores.

Para finalizar, Lisa compartilhou alguns dos projetos realizados na NYU, incluindo a criação de um makerspace que reúne diversas escolas para fomentar a inovação e a colaboração com empresas como a McKinsey para investimentos em mulheres empreendedoras. Além disso, ela destacou a criação de uma rede de justiça ambiental e racial focada na raça e no gênero, abordando questões de sustentabilidade de maneira mais inclusiva. Também falou sobre a criação de uma nova agenda focada no impacto, abordando questões como injustiças ambientais, derramamentos de petróleo e os impactos diferenciados nas mulheres e “pessoas de cor” em todo o mundo. Mais de 500 acadêmicos foram envolvidos nessas atividades, refletindo uma colaboração global inédita. Lisa apresentou exemplos concretos de projetos, incluindo a realização de uma conferência em Abu Dhabi sobre o impacto da cor e a produção de um filme sobre colorismo. Ela ressaltou a importância de envolver jovens no processo para promover conversas sérias e compreensão sobre questões como a diferenciação pela cor. Em relação ao Brasil, Lisa expressou um olhar positivo para São Paulo como líder em tecnologia na América Latina, destacando as possibilidades de colaboração e inovação.

Ao final da palestra, Lisa fez uma citação sobre a importância da liberdade em relação às disparidades e desigualdades como um pré-requisito para a inovação e para atingir metas como ESG e SDG: 

“A liberdade em relação às disparidades e desigualdades é essencial para a inovação e para alcançarmos nossos objetivos ESG e SDG. É um pré-requisito fundamental para o crescimento e para abrir possibilidades inimagináveis. A liberdade é a força vital do corpo humano, algo que ninguém consegue explicar ou compreender como é importante para atingirmos os nossos objetivos.”

Confira alguns cliques da palestra de Lisa Coleman no III Fórum Brasileiro do Capitalismo Consciente:


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