Meu match com o Capitalismo Consciente

por Daniela Garcia*, 25 de fevereiro de 2021
Muita gente me pergunta como eu encontrei o Capitalismo Consciente. Na hora de responder eu sempre tenho a vontade de corrigir a pergunta dizendo que eu não o encontrei (mesmo porque não o procurava), mas só consegui percebê-lo porque estava preparada para achá-lo.

Capitalismo Consciente é caminho, jornada de ampliação de consciência, entendimento do impacto que sua empresa gera ao seu redor quando faz qualquer coisa.O mundo entendeu Capitalismo até hoje como a forma de construir riqueza. Ponto. Mas a palavra consciência que foi incluída ao seu lado amplia tudo, muda tudo. Capitalismo Consciente é construção de riquezas com consciência, com propósito e amor, com o objetivo de diminuir desigualdades e ampliar os horizontes de quem faz a tal riqueza junto com a gente.

É seguir juntos, ganhando juntos.
Mas para responder a pergunta inicial preciso contar qual foi a jornada de consciência que eu precisei viver pra chegar até aqui.

Comecei no mundo do jornalismo, frenético de matérias todos os dias, pesquisas, tensão e fechamento de editoriais, fui para o universo da publicidade trabalhando para conquistar a melhor propagando do mundo, a que vendesse mais, custe o que custar… Me entreguei de corpo e alma para a internet, desde antes da bolha de 2000, e segui por um caminho cheio de projetos e marcas que despejavam na sociedade vontades, desejos, impulsos de compra, sedução e muito dinheiro em mídia. Foi uma escola e agradeço a cada minuto.

Mas como acontece quando você menos espera, muito trabalho, muitas horas ininterruptas e muitas metas mensais a serem alcançadas, me fizeram questionar onde eu ia parar e porque as coisas no mundo dos negócios não podiam ser mais suaves, humanas, amorosas…

Filhos mudam nosso olhar e, sem dúvida, os meus me ajudaram a observar tudo diferente. Faziam desde cedo questionamentos sobre discriminação de raça e gênero, o valor do tempo dedicado ao trabalho, formas diferentes de relacionamento com subordinados, e depois começaram com dúvidas sobre projetos de voluntariado, projetos sociais… Opa! Mil perguntas que me fizeram avaliar sob uma nova perspectiva os impactos que eu ajudava a gerar todos os dias na minha vida e na sociedade.

Quando fui demitida, assim como todo mundo que não tem plano B e nem nasce em berço de ouro, mergulhei numa busca frenética por respostas e hibernei num tempo de reflexões.Sai alguns meses depois em busca de algo que me fizesse acordar cedo com vontade de trabalhar. Foi neste momento que encontrei o advocacy como atividade e entendi que através dele eu poderia entregar meu melhor: defender causas, fazer comunicação de projetos sociais, colaborar para reverberar o que a sociedade civil entrega através das ONGs.

Eu queria falar sobre saídas positivas, sobre diminuição de problemas, sobre humanidade. Criei um negócio e decidi me oferecer para fazer comunicação para o terceiro setor. Abracei causas como inclusão de crianças com síndrome de down na sociedade, doação de sangue, e desperdício de alimentos. Escrevi, criei campanhas, falei e filmei muitas horas de trabalho pelas causas.

Foi olhando para o universo de ONGs no Brasil (cerca de 820 mil) que eu notei o quanto esse ecossistema precisava urgente de iniciativas fortes, promissoras e profissionais. Hoje as ONGs hoje atuam resolvendo problemas que o governo e empresas não resolvem. Elas trabalham em atividades essenciais para transformar o Brasil num país mais inclusivo e generoso. É essencial colaborar para que elas ampliem sua esfera de atuação, e especialmente que se profissionalizem e possam entregar ainda mais valor à sociedade. (para quem gosta do assunto sugiro assistir o Ted do Dan Palota… ele fala sobre filantropia e profissionalização no terceiro setor.. uma aula!… )

Eu queria trabalhar com isso. Eu precisava fazer alguma coisa para que o setor deixasse de ser assistencialista e passasse a oferecer reais possibilidades de negócios gerando impacto e diminuindo desigualdades.

Mais do que isso, a união de terceiro setor com negócios se tornou um objetivo pra mim. Onde eu poderia ver questões como impacto social, diminuição de desigualdades e generosidade de terceiro setor juntos?

E foi ai que eu conheci o Capitalismo Consciente… ele chegou perto de mim me ensinando que empresas que tem a consciência sobre seu impacto na sociedade são sempre melhores. Ser gerador de valor para quem está com você é ser generoso e criar um caminho de abundância.

Hoje, minha causa maior é essa. Pela consciência das empresas e dos atores deste universo de negócios. Falamos aos acionistas e investidores que tem o poder de escolher onde vão aportar suas reservas. Trabalhamos pelo acolhimento de todas as companhias que desejam curar e mudar a vida de tanta gente ao seu redor.

Somos instituto, conceito, movimento e metodologia. Somos educação em tempos de mudança. Somos a paixão em acompanhar o que um trabalho bem feito pode fazer para mudar o mundo todos os dias, a cada novo negócio que surge, a cada produto vendido e cada stakeholder feliz.

Em tempos de aplicativos, o match nem sempre significa um final feliz. No meu caso, encontrar o CC me deu a oportunidade de colocar mais amor e humanidade no trabalho, reforçar a teoria de que em algum momento da vida achamos nosso propósito e finalmente compreender como deixar um legado positivo por onde passo.

Vale para mim, e vale para todos empreendedores e empresários a frente de empresas realmente orientadas a deixar um bem maior para a sociedade.

*Daniela Garcia é, Diretora de Operações e Associações do Instituto Capitalismo Consciente Brasil (ICCB).

Compartilhe

Share on whatsapp
Share on facebook
Share on linkedin
Share on telegram

Deixe seu comentário

Posts recentes

Temos pressa para transformar os indivíduos

O ano é 2040: A temperatura está 1,5°C acima do nível pré-industrial. Muito foi feito, mas não foi suficiente. De volta a maio de 2022: novo relatório da Organização Meteorológica Mundial aponta que esse pico já será registrado em pelo menos um ano até 2026. O vislumbre do futuro nos mostra, portanto, que é preciso fazer mais e o tempo é agora.

Um mergulho na essência

Uma empresa familiar nasce de um projeto pessoal de quem a inicia e confere a ela uma identidade. Sonhos, princípios e a expressão da cultura são personificados na figura dos fundadores, referências maiores e suficientes nas primeiras fases de evolução do negócio. Com o passar do tempo, as identidades da família e da organização se influenciam entre si, porém se desenvolvem de maneira mais autônoma.

Embaixador(a) I

R$ 0,00