“Muitas vezes tentam separar do business, mas o ESG está dentro das empresas”, afirma Fabio Alperowitch, Fundador da FAMA Investimentos

Diversidade, inclusão e políticas públicas foram os principais temas debatidos do painel de cases e desafios da transversalidade do ESG no Brasil

Quais os desafios e transversalidades do ESG no Brasil? A pergunta chave foi tema do painel de hoje com Jandaraci Araujo, co-fundadora Conselheiras 101, Sara Hughes, fundadora e CEO da Scaffold Education e presidente do conselho de administração do FBN, e mediação Fabio Alperowitch, Fundador da FAMA Investimentos.

“É muito fácil falar em qualquer língua, é sonoro o ESG”, Fabio Alperowitch fala também da importância de trazer essas letras separadas environment, sustainability, government. “Muitas vezes tentam separar isso do business, mas o ESG está dentro das empresas”, afirma, que para alguns esse é um conceito “novo”, mas na verdade já é antigo, não é uma moda e sim um tema a ser debatido, “problemas americanos, ingleses, asiáticos, em todo o mundo tem problemas climáticos e de igualdade de gêneros”.

A diversidade deve ser pensada desde o início da empresa, tanto para seu crescimento na “diversidade de pensamento”, como diz Sara Hughes quanto para seus valores. “Se a inclusão não estiver nos valores da empresa, não acontece. Isso precisa fazer parte da cultura, é preciso ter uma política clara de engajamento e isso precisa refletir no dia a dia dos colaboradores”, afirma Jandaraci.

A importância de ter grandes empresas como Natura sendo um exemplo tende a ajudar na imagem do mercado, porém, como criar essa cultura nas pequenas e médias empresas? “As médias empresas representam 99% das empresas que tem no Brasil. Hoje já tem empresas que estão nascendo com um olhar específico, buscando se alinhar e começar com modelos sustentáveis e de políticas sociais”, diz Jandaraci.

Para a co-fundadora, as empresas têm o papel de trazer as pequenas e grandes empresas também para essa agenda que não é um assunto só para as grandes, as pequenas podem e devem ter esse olhar. “Uma forma de trazer é pulverizar cada vez mais os conceitos da agenda ODS para essas empresas, por exemplo, igualdade de gêneros e salários, consumo e produção responsáveis. É uma forma de começar. As grandes empresas têm um papel crucial nisso, de orientar para ficar tangível para as pequenas empresas, o empreendedor não precisa atender todas as ODS, mas sim ir se adaptando aos poucos para começar”, complementa.

No final, as políticas de ESG são importantes tanto para o B2B quanto para o B2C. “É preciso sim ter política pública ao pensar em atuação social e ambiental, precisamos de uma instituição como SEBRAE por exemplo, que ajude a empresa a implantar essas políticas, um exemplo disso é política de crédito para energia solar, existem várias formas de fazer isso”, diz Jandaraci.

O capitalismo para stakeholders também acontece nas empresas familiares, pessoas investidoras que sabem tomar as decisões, ‘sócio-responsável’.”A maior parte das empresas familiares tem um olhar forte, mas de resultados de geração para geração, qual o legado que vamos deixar para a próxima geração? Qual é o impacto a ser desenvolvido? Qual é o nosso DNA? Qual é a nossa comunidade? Boa parte vê sua comunidade como prioridade, outros 42% fazem filantropia, por exemplo”, diz Sara Hughes sobre a confiança do mercado e do consumidor, competência e ética. “Se não tem governança, como que vai ter estratégia?”, questiona fazendo o paralelo de logo inserir a próxima geração no negócio familiar, pois a entrada de pessoas que não são da família também abre nessas companhias, para novas visões de crescimento. “Um dos maiores problemas da empresa familiar é comunicar o que faz”, complementa.

“A nova geração Z tem valores muito distintos das anteriores”, afirma Fabio. Sara diz que a nova geração quer ter orgulho da família, da empresa, e pressiona os pais, demonstrando o que incomoda e que não tem interesse, e isso fere o fundador. “Precisa fazer um trabalho não de passar bastão, mas de trabalhar junto. Essa nova geração vem como aliado, com gás e isso é muito bom para mudar”, afirma a CEO. Vindas com os valores dos sócios, a FBN desmistifica para essas empresas os valores da ODS, ajuda a criar um plano e ensina como fazer as mudanças aos poucos, é se preocupar com a cultura que está sendo fomentada e isso começa com os sócios.

Entre os pontos citados na palestra também teve o greenwashing, a constatação do consumidor com a empresa que ele consome. “Eu acho impossível fazer isso hoje e o consumidor ignorar isso. Qual é a head da cadeia? Eu compro ou vendo produtos dessa cadeia? Pra mim isso é reputação, aquilo que faz hoje vai contar uma história depois”, diz Sara. “Uma hora a casa cai. Outro ponto é a materialidade das coisas, não tem como manter por muito tempo, principalmente na questão ambiental”, complementa Jandaraci.


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