Dia Internacional da Mulher. Somos tantas que é impossível colocarmos todas em uma caixa, com rótulo único, mas todas temos em comum a força, a garra e a perseverança de lutarmos por nossos ideais.
O primeiro deles, o direito à vida. Não às altas taxas de feminicídio. Um levantamento obtido pela CNN aponta que foram documentadas 380.735 ações judiciais entre janeiro e maio de 2024 no Brasil. Os números são do Datajud, a base de dados do CNJ. Isso equivale a uma média superior a 2,5 mil novas ações judiciais por dia em todo o país. Os novos processos pesquisados são referentes aos crimes de violência doméstica contra a mulher, estupro e feminicídio. (Saldanha, 07/08/2024).
O direito ao corpo e à roupa. Ninguém tem o direito de opinar sobre sua roupa e o não é “não” em qualquer circunstância. A culpa nunca é da vítima. Todos temos direitos de ir e vir em segurança.
Segundo dados citados pelo “Movimento Violência Sexual Zero”, há cinco registros policiais de estupro de menores de 13 anos por hora, sendo que pesquisas mostram que apenas cerca 10% dos casos são notificados. Ainda segundo o movimento, a organização Safernet recebeu 197 denúncias por dia de conteúdo de abuso e exploração sexual on-line de crianças e adolescentes no país em 2023 – último dado disponível – aumento de 77% ante 2022. Mais de quatro bebês nascem por hora filhos de mães de até 15 anos, sendo pelo menos dois deles filhos de mães de até 14 anos – idade abaixo da qual a relação, com ou sem consentimento, é considerada estupro no Brasil. (Fernandes, 17/02/2025).
Direito a não ser intimidada e nem silenciada. Apure as denúncias, independentemente do cargo ou posição social. A começar pelas mulheres que ascenderam em suas carreiras, mas que, mesmo fazendo funções equivalentes a dos homens, ainda ganham menos. Que sofrem microagressões onde suas considerações são questionadas – quando não ignoradas – fazendo-as achar que estão enganadas em seu raciocínio, duvidando até de sua capacidade de discernimento (gaslithing). Ou, ainda, que a mulher não possui capacidade de compreensão, soterrando-a com explicações longas que mais confundem do que explicam (mansplaining) ou mesmo quando a interrompem por várias vezes, não a deixando concluir seu raciocínio (manterrupting). E, ainda pior, quando se apropriam de suas ideias já expressadas, levando os créditos por ela (bropriating).
Direito de ser respeitada e admirada. Não ao capacitismo e à falta de respeito. Pela primeira vez na história da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), um aluno foi expulso da instituição em um caso que envolve acusações de importunação sexual, perseguição, violência de gênero e agressões de discriminação de cunho racista e nazista. (Cafardo, 14/02/2025).
Diga não ao patriarcado e sim pela equidade de direitos e deveres. O Global Gender Gap Index é o mais antigo índice a acompanhar as disparidades de gênero entre as economias globais. Desde 2006, o relatório do Fórum Econômico Mundial fornece dados para analisar o progresso na equidade entre homens e mulheres em dois terços dos países do mundo – e os resultados deste ano mostram que, infelizmente, houve poucos avanços. Olhando para a série histórica, a desigualdade de gênero reduziu apenas 0,1%. Isso significa que precisamos de 134 anos para alcançar a plena paridade. O relatório analisa quatro áreas: participação econômica e oportunidades, educação, saúde e empoderamento político. (Think Eva, 19/07/2024).
Pelo direitos iguais na licença maternidade e paternidade. Nunca nenhum homem foi demitido por se tornar pai. Precisamos ter aliados na luta pela equidade. Não espere ter uma filha ou neta.
A ONU Mulheres foi criada em 2010 e, cientes do papel das empresas para o crescimento das economias e para o desenvolvimento humano, a ONU Mulheres e o Pacto Global criaram os Princípios do Empoderamento das Mulheres nas empresas, os quais oferecem orientação às empresas sobre como promover a igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres no local de trabalho, no mercado e na comunidade.
Empoderar mulheres e promover a equidade de gênero em todas as atividades sociais e da economia são garantias para o efetivo fortalecimento das economias, o impulsionamento dos negócios, a melhoria da qualidade de vida de mulheres, homens e crianças, e para o desenvolvimento sustentável.
Estes princípios estão relacionados aos:
ODS 5 – Igualdade de gênero.
ODS 8 – Trabalho decente e crescimento econômico.
ODS 10 – Redução das desigualdades
ODS 17 – Parcerias e meios de implementação.
Diante desse cenário e da convicção de que “não há desenvolvimento econômico e social sustentável sem a proteção da infância e da adolescência” e que “não há proteção sem o enfrentamento da violência sexual”, o “Movimento Violência Sexual Zero”, como diz a carta de apresentação, convida empresas a firmarem o compromisso de distribuir e incentivar seus funcionários a acessarem materiais sobre o assunto.
Este é um grande legado da liderança consciente, aquela que sabe de seu papel, sua importância e responsabilidade, não como a única detentora do saber, mas certa de que é capaz de não negligenciar os problemas, de que trazê-los à tona é sua responsabilidade para inspirar o melhor do seu time, para as transformações que se farão necessárias. Daí advém a cooperação, a inovação e a criatividade, para a grande transgressão e a busca da cura que, tanto nós, como o planeta necessitamos.
Referências:
Cafardo, R. Direito da USP tem 1.ª expulsão de aluno; caso tem denúncias de abuso contra ex e de mensagem nazista. Estadão: Educação, 14/02/2025. Disponível em: https://www.estadao.com.br/educacao/faculdade-de-direito-usp-aluno-expulso-denuncia-abuso/#:~:text=Pela%20primeira%20vez%20na%20hist%C3%B3ria,de%20cunho%20racista%20e%20nazista
Fernandes, A. Campanha alerta para ‘epidemia’ de violência sexual infantil. Valor Econômico: São Paulo, 17/02/2025. Disponível em: https://valor.globo.com/brasil/noticia/2025/02/17/campanha-alerta-para-epidemia-de-violencia-sexual-infantil.ghtml
Think Eva. “Ainda falta muito tempo?” A previsão é de 134 anos para a igualdade de gênero. Disponível em: https://thinkeva.com.br/ainda-falta-muito-a-previsao-e-de-134-anos-para-a-igualdade-de-genero/
ONU Mulheres Brasil. ONU Mulheres, UNOPS e Ministério Público do Trabalho lançam série de vídeos sobre desigualdades de raça e gênero no mundo do trabalho. 10/12/2021. Disponível em: http://www.onumulheres.org.br/noticias/onu-mulheres-unops-e-ministerio-publico-do-trabalho-lancam%e2%80%afserie%e2%80%afde-videos-sobre-desigualdades%e2%80%afde-raca-e-genero%e2%80%afno-mundo%e2%80%afdo-trabalho%e2%80%af/
Saldanha, Rafael. Justiça brasileira recebe 2,5 mil processos de violência contra a mulher por dia, segundo CNJ. CNN: 07/08/2024. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/justica-brasileira-recebe-25-mil-processos-de-violencia-contra-a-mulher-por-dia-segundo-cnj/
Autora
Patrícia Almeida, A.Gente do Capitalismo Consciente Brasil