O futuro da economia: o que já mudou e o que ainda vai mudar no mercado

Foto: Marco Favero / Agencia RBS

Por Juliana Bevilaqua para o Jornal Pioneiro

Quantas mudanças em tão pouco tempo. Uma pandemia foi capaz de virar nossas vidas de ponta-cabeça e provocar profundas transformações. E, aí, todos se perguntam: como será quando tudo isso terminar? Na verdade, já está sendo. O tal do “novo normal” é uma realidade em todos os setores, inclusive e, talvez, principalmente, no mercado.

— Uma coisa é certa: o mercado não será o mesmo. Aliás, já não é. O pós-pandemia já começou e muita coisa mudou: a forma de trabalhar, os canais de negócios, a relação entre empresas, a relação empregado/empregador, a forma de se encarar a vida, as prioridades, o comportamento do consumidor — destaca Márcio Luppi, diretor comercial da Omni Banco & Financeira.

Para Luppi, o novo mercado que se apresenta já mostra como tendência ser mais dinâmico, digital e eficiente, o que vai exigir profissionais mais completos.

— Além disso, há uma disputa ainda mais acirrada pela experiência positiva do consumidor em um mercado de novas oportunidades de negócios e cada vez mais intolerante ao erro — acrescenta.

Na opinião da diretora de Operações e Associações do Instituto Capitalismo Consciente Brasil (ICCB), Daniela Garcia, terá espaço neste novo mercado quem se aproximou de valores que se tornaram realmente importantes para as pessoas durante o período de distanciamento social.

— A experiência de ficar em casa e precisar de muito menos coisas foi muito emblemática. O olhar para grupos vulneráveis também ampliou essa visão. Além disso, as relações com produtores pequenos tornou-se evidente, e isso é muito bom. Essa aproximação é importante nas relações de consumo. Os assuntos de sustentabilidade e impacto ambiental entraram nas casas de todos com muita força. A pandemia deixou claríssima a necessidade de cada ser humano olhar para seu entorno e entender que faz parte de um todo, de um sistema integrado e amplo.

Daniela complementa:

— Aquela marca que mostrou atitude positiva, transparência, valorizou seu propósito e contou para a sociedade o que estava fazendo para colaborar com o ecossistema e com seus stakeholders certamente será mais lembrada e, consequentemente, mais acessada. Aquelas que se reinventaram e mostraram inovação e adaptabilidade também serão mais facilmente lembradas, afinal elas proporcionaram experiências novas aos seus consumidores, facilitaram suas vidas, estiverem presentes em um momento instável. Valor percebido é valor de marca, e isso é ouro.

O que diz Márcio Luppi:

Foto: Omni Banco & Financeira / Divulgação

LIÇÕES DA PANDEMIA

“São várias, mas destaco as seguintes: o trabalho home office já poderia estar mais desenvolvido antes da pandemia, pois estamos tendo um sucesso enorme nesse formato, com ganhos de produtividade e melhoria na vida das pessoas; a transformação digital não é o futuro, é o presente; existem muitas formas de se fazer negócios; e devemos estar atentos o tempo inteiro na reinvenção dos nossos negócios.”

O NOVO MERCADO

“Uma coisa é certa: o mercado não será o mesmo. Aliás, já não é. O pós-pandemia já começou e muita coisa mudou: a forma de trabalhar, os canais de negócios, a relação entre empresas, a relação empregado/empregador, a forma de se encarar a vida, as prioridades, o comportamento do consumidor.”

MAIS ESPAÇO

“Quando se trata de produtos financeiros em pós-crise, normalmente aqueles voltados ao socorro financeiro tendem a ter maior atratividade, como refinanciamento de veículos, que é uma forma barata e simples de ter recursos e, ao mesmo tempo, traz mais segurança para a instituição que empresta, capital de giro para pequenas e médias empresas, que normalmente são mais sensíveis a esses momentos, e crédito pessoal utilizado para pagamento de dívidas. Contudo, nessa pandemia, duas operações têm surpreendido: o financiamento de motocicletas, pois novos mercados se abriram, como o delivery, por exemplo, e o CDC Crediário, que fomenta o varejo, pois muitos consumidores estão aproveitando que estão em casa para trocar móveis e eletrodomésticos. Como temos um portfólio de produtos bastante diverso, estamos conseguindo oferecer aos nossos clientes todas essas alternativas.”

COMO SERÁ

“Acredito que passará por um mercado mais dinâmico, digital e mais eficiente, que exigirá profissionais mais completos. Além disso, há uma disputa ainda mais acirrada pela experiência positiva do consumidor em um mercado de novas oportunidades de negócios e cada vez mais intolerante ao erro.”

ESTRATÉGIAS

“As estratégias estão ligadas às demandas existentes, como comportamento do consumidor e canais de venda disponíveis. As empresas precisam estar antenadas às tendências. A estratégia de quatro meses atrás seguramente não valerá para este momento de profundas mudanças. Já ouviu a frase ‘a empresa deve ser construída de fora para dentro’? Isso vale mais do que nunca, e a proximidade que sempre tivemos com a ponta fez com que reagíssemos muito rápido no realinhamento de nossas estratégias.”

RETOMADA

“Já começou, inclusive alguns setores estão com retomada forte. Na Omni, estamos tendo taxas significativas de crescimento a cada mês e estamos caminhando fortemente para retomar os patamares que estávamos na pré-pandemia. A retomada depende de atitude vencedora e de estratégia bem clara e definida para sua equipe.”

CRÉDITO

“Normalmente, as empresas mais organizadas em sua gestão saem na frente em momentos como este. Aquelas que estiverem em segmentos menos afetados também tendem a ter alguma facilidade. O importante é que, independentemente do tamanho da empresa e do segmento em que atua, os empresários busquem os produtos e canais adequados para cada linha de crédito. Isso pode ser determinante. Na Omni, estamos trabalhando nossa linha de produtos para conseguirmos atender os mais variados segmentos e tamanhos de empresa.”

O que diz Daniela Garcia:

Foto: ICCB / Divulgação

LIÇÕES

“A pandemia deixará marcas em todos. Em âmbito pessoal e profissional. O mercado é feito de pessoas, tanto as que trabalham quanto as que consomem, e todas elas passarão por mudanças substanciais. No caso de empresas, o olhar mais cuidadoso para os stakeholders (partes interessadas), no meu ponto de vista, é o ponto mais forte. Não é possível entender uma empresa se não entendermos todos os grupos que fazem parte dela. O cuidado com o colaborador, com a cadeia de fornecimento ficou evidente. Ou cuida ou não sobrevive. Além disso, senso de urgência, atenção e carinho e, especialmente, empatia são lições de vida na pandemia. Para as pessoas, a mesma coisa. Cuidar de todos que estão no seu entorno, ser atento e cuidadoso com suas ações e palavras, ser flexível e empático. Duas escalas diferentes, com valores semelhantes.”

O QUE VEM POR AÍ

“A consciência de quem somos e a importância do que fazemos é a tônica. Consciência leva a uma nova percepção de vida, que leva a novas atitudes, que, por sua vez, levam a novos hábitos. Quando tomamos consciência, mudamos. E o mundo está mudando depois dessa experiência. Valores estão se tornando mais evidentes como colaboração, autogestão e empatia, e isso vai mudar a forma com a qual as pessoas se relacionam e interagem.”

O QUE TERÁ ESPAÇO

“Produtos e serviços que facilitem ainda mais a vida das pessoas e que se aproximem de novos valores, desde roupas mais confortáveis e feitas de materiais mais sustentáveis até embalagens biodegradáveis. Os consumidores, que experimentaram as facilidades do digital durante a quarentena, estarão mais conectados do que no pré-pandemia, o que aumentará a demanda por serviços remotos e ágeis. Há uma valorização da personalização e do comércio local, por meio da busca de produtos artesanais que podem ser encontrados perto do consumidor. O impacto social do coronavírus é bastante significativo, então acredito que haverá um olhar mais consciente para consumir produtos e serviços de autônomos.”

NECESSIDADES

“A pandemia criou um consumidor mais atento e consciente. Neste tempo, as pessoas olharam mais para seus armários entendendo que consomem mais do que precisam, olharam para suas geladeiras entendendo que a comida precisa ser consumida num prazo mais adequado e que o desperdício não é bem-vindo, olharam seus lixos e a quantidade que geramos todos os dias. As pessoas passaram a observar os próprios hábitos de consumo com mais atenção e rigor. A experiência de ficar em casa e precisar de muito menos coisas foi muito emblemática. O olhar para grupos vulneráveis também ampliou essa visão. O consumidor também se tornou mais digital, conectado e solidário. As pessoas interagem com marcas rapidamente, e mesmo aquelas que se sentiam pouco aptas a fazer isso mudaram. As relações com produtores pequenos se tornou evidente, e isso é muito bom. Essa aproximação é importante nas relações de consumo. Os assuntos de sustentabilidade e impacto ambiental entraram nas casas com força. A pandemia deixou claríssima a necessidade de cada ser humano olhar para seu entorno e entender que faz parte de um todo, de um sistema integrado e amplo. Isso transforma as pessoas.”

POSTURA

“Muda muita coisa, mas a mais importante talvez seja que, com o cliente mais exigente, mais atento e mais consciente, a primeira reação é percepção de valor de marca. O cliente precisa perceber que a marca é importante para ele, caso contrário ele não vai consumi-la. Aquela marca que mostrou atitude positiva, transparência, valorizou seu propósito e contou para a sociedade o que estava fazendo para colaborar com o ecossistema e com seus stakeholders certamente será mais lembrada e, consequentemente, mais acessada. Aquelas que se reinventaram e mostraram inovação e adaptabilidade também serão mais facilmente lembradas, afinal elas proporcionaram experiências novas aos seus consumidores, facilitaram suas vidas, estiveram presentes em um momento instável. Valor percebido é valor de marca, e isso é ouro.”

RETOMADA

“Entendo que a retomada dos negócios já está acontecendo, mas de forma gradual. Não é possível retomar com toda a força e da forma antiga por conta das regras de segurança. Retomada completa talvez após a vacina. Falando em retorno gradual, ainda temos duas formas de observar: alguns segmentos de negócios desejarão voltar no formato anterior e encontrarão barreiras para isso, precisando se adaptar em processos, espaço físico e flexibilização de jornadas de trabalho. Outros segmentos, cujas adaptações já foram feitas com mais agilidade e menos dor, farão da retomada um novo momento e uma nova versão de si mesmos.”

REPRODUÇÃO: Jornal Pioneiro

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