QUE MUNDO VOCÊ ENXERGA AO OLHAR PARA O FUTURO?

Cada vez mais o capital privado se posiciona em prol de um capitalismo que gere prosperidade compartilhada. No futuro, ninguém pode ser deixado para trás.

por Luciana Antonini Ribeiro

O que foi normal um dia, não cabe mais nos planos de governos, investidores, empresários e consumidores. A palavra externalidade virou sinônimo de consciência. E o convite dos novos modelos de negócios é de compreender toda a cadeia, responsabilizar-se por ela, e questionar, de forma cirúrgica – porque em xeque está a perenidade de setores inteiros, como o do petróleo – , se ainda há espaço para produtos cada vez mais visados e questionados por questões ambientais. Os tempos são outros!

Tomar decisões a partir de um propósito que vise o lucro mas vá além de retornos individuais é o mantra do capital privado global, muito pressionado por ações para além das palavras. Há algumas semanas, líderes mundiais se reuniram na Cúpula do Clima para reforçar compromissos de mais respeito com o planeta e as pessoas, e trouxeram metas ambiciosas de redução de emissão de carbono. Nesse ambiente, o Brasil é ainda uma interrogação, mas não há como negar que independente do governo, o setor privado brasileiro está consciente da transformação urgente. E pautado por agendas ESG, dos ODSs, da Sustentabilidade.

A onda verde, finalmente, chega para mudar o jogo em plena partida e assim como a tecnologia revolucionou os negócios nos últimos anos, também a sustentabilidade se fortalece e permeará todas as decisões. Irá ocupar, finalmente, o merecido espaço nas agendas estratégicas.

Das cartas anuais de Larry Fink, a novas métricas de riscos e oportunidades climáticas de bancos mundiais e investidores, ao sucesso de IPOs de empresas exemplo em ESG, caso da Ambipar, a verdade é que o capital privado acordou para a força das suas decisões na construção de futuros melhores e mais inclusivos.

Aqui no Brasil, a agenda climática entrou de vez na agenda de regulação do Banco Central e a Febraban utilizou uma medição inédita para avaliar o crédito corporativo de bancos brasileiros. Esse é o começo e com muitos aprendizados. Tanto do lado de quem pressiona pelas mudanças como a de quem corre contra o tempo para se adaptar, rever processos, cadeias de fornecimento – se estão em áreas desmatadas, por exemplo -, externalidades. A consciência é um caminho sem volta, inclusive e, principalmente, para o Capitalismo.

*Luciana Antonini Ribeiro é cofundadora da EB Capital, gestora de investimentos alternativos que tem como tese principal apoiar empresas que resolvam lacunas estruturais brasileiras. Com atuação específica no Private Equity, liderou investimentos relevantes nos setores de telecom, educação, gestão ambiental, logística, dentre outros. É colunista da Exame e por, três anos consecutivos, foi indicada como uma das Top Women Investing in Latin American Tech, pela Lavca. Fundou e coordena o Comitê Brasil 2030, da Abvcap, dedicado a fomentar um novo protagonismo do capital privado na transformação do Brasil. É mestre em direito comercial pela Universidade de São Paulo (USP), com MBA pela Columbia Business School.

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